A JORNADA
INDIVIDUAL DE CADA UM
por Heitor Jorge Lau
Quando se
está trilhando um caminho que não foi percorrido por ninguém, é comum surgirem
dúvidas e angústias concernentes ao que se está fazendo com a própria
existência. Algumas pessoas nos alertam e querem nos persuadir sobre o que é
melhor para nós, até se esforçam para apresentar um esboço imaginário do plano
que é melhor para ser seguido, embora muitos deles se encontrem em uma situação
completamente contraditória com o que pregam. Se, apesar de obstáculos desse
tipo, aceitamos o risco de viver como ninguém até hoje viveu, e que certamente
ninguém irá viver algum dia, acertamos as nossas contas, pagamos as nossas
dívidas com o próprio passado – ele, o passado, não tem culpa de nada por sermos
o que somos, pelos homens serem como são, pelo mundo, enfim, ser o que é.
Mas ocorre, com o
passar do tempo, um sentimento de uma estranha certeza, uma certeza incomum, que
não se confunde com a certeza objetiva que obtemos pelo raciocínio. É
impossível que ela seja deduzida inteligentemente, pois, por se tratar de uma
“persuasão íntima”, nos impele a ir adiante, afirmando novos riscos, a não
ressentirmos os nossos erros, a nos mantermos confiantes e corajosos no modo de
viver que, com muito custo, conseguimos inventar. É uma certeza alegre que nos
acompanha quando fazemos aquilo que queremos, do modo que queremos. Que falem,
que critiquem, não importa o que até “os mais próximos” nos dizem sobre o
“melhor” destino que podemos ter, pois a certeza nos faz desviar das “melhores sugestões”:
ela, a certeza, nos faz abandonar certos hábitos ditos indispensáveis para a maioria
das pessoas, e abraçamos com orgulho aquilo que é sentido como urgente,
inadiável.
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