Heitor Jorge Lau
Empresário e Mestrando em Educação
Pós-Graduado em Gestão de Recursos Humanos
Bacharel em Comunicação Social – Relações Públicas
Ensaios longos, textos contemplativos, arqueologia cultural, análises psicológicas, crônicas filosóficas, antropologia do cotidiano.
Olá!A falta de limites está passando dos limites!
Redundância ou não, a verdade é que esta afirmação serve para manifestar a intensa e galopante falta de imposição de limites a tudo que vai de encontro aos bons costumes e regras de convivência. Mas este estranho fenômeno que aos poucos se aglutina ao que restou da consideração pelo próximo, possui sua gênese (creio) na geração, imediatamente, pós-fraldas. Crianças necessitam de orientação rígida e pautada pelo exemplo dos pais ou de alguém que exerça forte influência sobre elas. Na carência de um ou de outro a situação fica, simplesmente, complicada. Como esperar de um pré-adolescente, adolescente, posteriormente, de um adulto, características e valores que sustentem relações interpessoais dignas. A ciência comprova que o ser humano, enquanto na categoria de criança, "absorve", mesmo que sob intenso protesto, as limitações necessárias para o seu desenvolvimento integral. Esta especificidade do humano, podendo até mesmo ser percebida como empatia, não pode ser negligenciada porque, tanto exemplos positivos como negativos, serão incorporados em menor ou maior dosagem, variando conforme a faixa etária.
Então, porque correr o risco de ter que desentortar uma árvore se podemos cuidar para que ela creça com retidão?
Por Heitor Jorge Lau
Tutor da Disciplina Processos Gerenciais da Uninter Pólo Santa Cruz do Sul
Empresário e Mestrando em Educação
Pós-Graduado em Gestão de Recursos Humanos
Bacharel em Comunicação Social – Relações Públicas
Por Heitor Jorge Lau
Relações Públicas
Pós-Graduado em Gestão de Pessoas
Mestrando em Educação
Para que se possa formar uma opinião mais próxima do ideal, navegar por diversos oceanos do saber sob uma ótica mais holística é preciso.
Portanto, algumas considerações em forma de tópicos antes das considerações finais:
* Pesquisas fragmentadas
Existem muitas pesquisas apontando a predominância de aspectos negativos do uso da internet, contudo, nenhuma delas analisou todas as suas formas de utilização simultaneamente e muito menos de forma empírica. As relações virtuais acontecem em diversos cenários e contextos, portanto, afirmar que as relações, de modo geral, se deterioram a partir do contato virtual, significa opinar sob a ótica da generalização e especulação.
* Impulsividade, depressão e desvios de conduta
Os desvios de conduta vinculados as dificuldades do controle de determinados impulsos podem sofrer um aumento gradual através do uso excessivo da Internet, pelo simples fato de coexistir a possibilidade de satisfação instantânea destes mesmos impulsos. Isto proporciona isenção de qualquer tentativa de solucionar problemas de impulsividade. A saciedade é virtual e utópica, mas geradora de expectativas gradativamente mais acentuadas. A Internet não ocasiona a depressão ou qualquer outro tipo de desvio, todavia, são os indivíduos depressivos e/ou com algum tipo de desvio emocional que recorrem na maioria das vezes, à Internet de forma compulsiva e dependente.
* Invasão de privacidade
A invasão de privacidade está longe de ser tipicamente configurada por um enxerido adentrando nos limitrofes-privados-físicos. O acesso pela internet, principalmente pelas redes sociais também possibilita a intromissão, com a diferença de ser virtual. Incialmente o ato de intrometer pode permanecer nos horizontes do virtual, mas, estudos e estatísticas (sérias) comprovam que danos físicos e emocionais podem migrar para o real por intermédio do assédio cibernético. A pedofilia está dentre os riscos mais sérios e presentes nas redes. Crianças, pré-adolescentes, adolescentes estão a mercê de pessoas com desvios patológicos seríssimos. É notório o fato de que os "pequenos internautas" navegam sob o prisma da privacidade de espaço, seja no âmbito familiar ou em alguma lan. Em ambos os casos, o olhar dos responsáveis passa muito longe dos acontecimentos. A questão levanta uma reflexão a ser feita: cabe aos pais policiarem seus filhos a ponto de compartilharem toda espécie de contato virtual ou sua responsabilidade resume-se em apenas orientar? Talvez, ambos os casos. Acreditamos que as relações familiares devam ser muito bem constituídas e mantidas porque assim os filhos saberão que sempre poderão contar com o apoio da família, seja qual for a circunstância.
* Relações conjugais
Especialistas matrimoniais afirmam que ocorreu um aumento exponencial de dissoluções matrimoniais devido ao estabelecimento de casos “extraconjugais cibernéticos”. Resta refletir se o rompimento das relações ocorreu por motivos ligados ao ciberespaço ou se a relação de cumplicidade e autenticidade do casal (ideal para a sustentabilidade da relação) não possuía bases suficientes para manter o matrimônio.
* Laços afetivos
Os laços delineados e concretizados a partir do ciberespaço referem-se tão somente a uma comunhão de interesses ou preferências, porém, não preenchem verdadeiramente, carências do ponto de vista emocional, se comparados com os laços concretos constituídos pelas relações sociais (físicas) familiares. Contudo, cabe a cada crítico avaliar a sua concepção do verdadeiro sentido conotativo da palavra “proximidade”. Estar próximo de alguém não significa estar presente fisicamente, face-a-face, pelo contrário, proximidade é proveniente de estados emocionais sutis e profundos com relação a outrem.
* Aspectos positivos das interações
Ao que concerne ao caráter do anonimato das relações constituídas na Internet, todo internauta poderá experimentar incontáveis novas formas de ser, pertencer e de estar (relação estar para o mundo assim como mundo está para mim), através da incorporação de novas identidades, com a nítida vantagem de não haver fronteiras concernentes a custos sociais ou espaciais para tal. Sempre existiram verdadeiros abismos interpostos às tentativas de relacionamento entre classes desniveladas pelo caráter socioeconômico e geográfico. A Internet propicia o fim das determinações preconceituosas e pré-definidas.
A respeito dos usos saudáveis ou patológicos da internet, existe uma frase que sintetiza o assunto: "Não importa que a aventura seja louca, desde que o aventureiro seja lúcido". Para avaliar se o uso da internet é benéfico ou prejudicial, é necessário saber mais sobre o contexto do internauta em questão. Este tipo de investigação tende a ser mais relevante do que julgar isoladamente o tempo em que ele fica conectado. É importante ressaltar, que o uso habitual e contínuo da Internet não é, necessariamente, danoso. Ele pode ser até saudável. Inclusive, há vários elementos sociais positivos facilitados pela Internet, como por exemplo, o estabelecimento de novas relações entre pessoas, o encontro romântico de pessoas com afinidades entre si e a possibilidade de se estabelecerem relações interpessoais à distância. A dificuldade maior no diagnóstico do uso compulsivo da Internet diz respeito aos limites entre o uso inócuo e sadio e o aparecimento de conseqüências danosas advindas dessa atividade exercida em excesso.
É recomendável lembrar que as preocupações em relação ao uso da Internet devem ter a mesma relevância que o uso excessivo de qualquer outra tecnologia, a qualquer outro dispositivo eletrônico, tais como a televisão, o celular, videojogos e outros que prejudiquem o convívio familiar ou outras atividades presenciais. E por fim, não há dúvidas de que a Internet trouxe consigo numerosos benefícios para a sociedade, na medida em que melhorou e facilitou a comunicação e obtenção de informação. Entretanto, esse desenvolvimento não está isento de riscos e aspectos negativos, entre eles o risco de compulsão em pessoas que independente da internet, são vulneráveis à compulsão.
* Consideração final
Não deveria existir uma visão simplista do estar on-line ou off-line, ser real ou virtual, porque afinal das contas, seria de extrema ingenuidade considerar que somente as relações “off-line” é que podem, verdadeiramente, ser admitidas como amizades “reais”. O uso do ciberespaço é fato, e ninguém pode ignorar que os avanços da humanidade não procedem a passos para a retaguarda. O desafio do ser humano está justamente em aliar os progressos tecnológicos, sejam eles eletrônicos ou não, ao seu cotidiano de forma consciente, benéfica e vantajosa.
Respondendo a questão: - a internet trouxe benefícios às relações sociais? Sim! Aqueles que já mantinham a prática do contato pessoal agregaram mais um aliado aos processos comunicacionais; e para quem tinha dificuldades ou não possuía tal hábito, eis uma forma de diluir medos e recalques. Porque, se a Internet inexistisse, sem sombras de dúvida, o ser humano encontraria outro repositório (culpado) para o seu repertório de ansiedades, depressões e carências. Afinal, isto é típico do ser humano.

Uma coisa é certa, dentro de pouco tempo não haverá sapato de deputado sem brilho na Câmara de Deputados. Há boatos de que um “importante” serviço de engraxataria está em processo de licitação. Algo que tinha sido extinto em 2003 (acredita-se). Este “precioso” e “indispensável” serviço destinado a embelezar os sapatinhos daqueles que foram eleitos para tomar decisões importantes no país, custará aos cofres públicos a quantia “irrisória” de R$ 3.135.000,00 por ano. Isto significa que mensalmente, nós cidadãos pagadores de impostos e mais impostos, vamos assistir um gasto de R$ 261.000,00 por mês ou R$ 8.700,00 por dia nos sapatos perambulantes do Congresso Nacional.
A engraxataria pleiteada ficará bem ao lado do salão de beleza existente no Edifício Central de 138.000m², aliás, outro serviço que não poderia faltar para o excelente andamento dos trabalhos, exaustivamente desenvolvidos pelos menestréis do Distrito Federal. Então, imaginemos esta turma de cabelo bem aparado, unhas bem alinhadas, cutículas super cortadinhas e reluzentes sapatos. Tudo isto para torná-los mais atraentes e fotogênicos, afinal, aparecer diante de uma câmera de TV ou na foto de algum jornal, “justifica” tal investimento. Vamos exercitar um cálculo de quantos sapatos deveriam ser engraxados em apenas um dia com a verba de R$ 8,7 mil reais diários: MAIS OU MENOS 3.600 PARES DE SAPATOS. Isto é couro que não acaba mais... É muito sapato.
E, enquanto este “carnaval institucionalizado” resplandece nas passarelas do Congresso Nacional, o Piso Nacional dos nossos, estes sim, valorosos professores continua no patamar dos R$ 1.187,00, afinal, para que pagar mais para um profissional que apenas ensina alguém a ler, a escrever, a ser crítico e forma cidadãos produtivos. Mas, não fiquemos tão chateados, temos no Congresso Nacional, um precioso membro da Comissão de Educação e Cultura, o Deputado Tiririca que recebe mensalmente “somente” R$ 26.700,00 (fora outras mordomias). Este político irá fazer um esforço descomunal para mudar esta realidade, triste realidade, diga-se de passagem, com seus sapatos bem lustrados.
Por Heitor Jorge LauOnde resido há quatro anos, 5% da mata nativa existente nos morros que circundam a região já eram. O cálculo é meio amador, então, pode ser um pouco maior o índice. Motivo: pessoas que não se importam, inconseqüentes, irresponsáveis e ignorantes, estão cortando todo tipo de árvore com a intenção de queimar no fogão à lenha ou transformar o local numa “lavoura vertical”. E cá entre nós, qual a planta que se desenvolve satisfatoriamente na encosta de um morro. Isto sem pensar nos reflexos da inexistência da vegetação de cobertura que segura a erosão natural das enxurradas. Este pequeno cenário macabro é mínimo perto do que estão fazendo com a Mata Atlântica e a Amazônia. Mas, isto já é assunto e estresse para outro dia. Neste momento fico até onde minhas vistas alcançam. O som de uma moto serra me provoca arrepios e acessos de raiva porque eu sei que alguém, em algum lugar próximo, está fazendo uma barbaridade – cortando árvores irracionalmente. Três meses atrás subi um cerro perto de minha propriedade para verificar se estava tudo bem. Surpresa! Uma área de árvores nativas de mais ou menos 30 m x 30 m havia sumido do mapa. Onde foi parar? Empilhado num galpão, cortadinha em pequenos tocos de lenha para o fogão. Mas quem se importa com isso? Eu, a fauna e a flora. Uma moto serra nas mãos de gente desta natureza pode ser considerada uma arma. E arma, todos sabem, só pode ser usada com autorização. Está aí , algo para refletir: arma de fogo precisa de licença, para dirigir um carro é preciso de licença, construir precisa de licença... etc. etc. etc., mas para acabar com o Planeta não precisa. Ah, dizem alguns experts: - Determinados tipos de árvores não podem ser derrubadas sem permissão de órgão competente. Quem dá poder ao ser humano para decidir quem vive ou quem morre na fauna e flora?? Pois é, a questão continua a mesma e sem solução aparente. As reações da natureza continuam sinalizando que a coisa está ficando “preta”, mas ninguém quer “ouvir”. Sempre foi dito que deveríamos preservar o Planeta para nossos filhos e netos. Mas, acho que devíamos pensar em como educar os filhos e netos para deixar neste Planeta.
Nunca houve, como agora, tanta inconformidade diante da pobreza. Claramente, à medida que aumenta o número de cidadãos com acesso a um padrão de vida decente, aumenta também a sensação de desconforto em relação aos que estão de fora deste cenário. Não fosse a demagogia explícita por trás dos reais interesses das promessas políticas, seria possível crer que o futuro da nação, estaria depositado justamente nas mãos daqueles que por obrigação, são responsáveis pelo desenvolvimento do bem-estar.
- http://jornalglobal.com.br/noticias.php?noticia=2803 – Índices de miséria no Brasil.
- http://www.fundaj.gov.br/observanordeste/obte001.doc - As raízes da miséria no Brasil: da senzala à favela.
Texto extraído da Revista Educação & Psicologia e adaptado.
Título original: Alguns equívocos sobre o sujeito da educação
Por Lisandre Castello Branco
Vejo praticamente todos os dias alguns dos meus professores do segundo grau, ou melhor MESTRES. Percebo no semblante de cada um deles uma expressão de gente sábia, orgulhosa da profissão, sob minha ótica, a mais honrada e digna desde os primórdios da humanidade. Um professor particularmente me chama muito a atenção, por seu jeito falante, rosto erguido, fala firme e alta, como nos tempos da sala de aula (e faz tempo isto). Este cidadão é detentor de uma vantagem intelectual e cultural de dar inveja - no bom sentido é claro. Cursei o segundo grau em tempos memoráveis. Imaginem vocês que na grade curricular haviam as seguintes disciplinas: Estatística e Custos; Direito; Filosofia; Técnicas Comerciais; entre outras. Citei estas que mais marcaram por sua relevância. De fato, aquela escola preparava o aluno para encarar o mundo do trabalho. Saudades daqueles tempos. Mas e hoje, o que está havendo com o ensino?
"Entre a chamada escola tradicional e a família tradicional o que podia ser facilmente observado era o estrito paralelismo existente entre ambas as instituições. Tal paralelismo ficava evidente nos modos pelos quais eram disciplinadoras, autoritárias e exerciam seus papéis e funções de modo preestabelecido. Tudo isto com uma linguagem educativa e valores pedagógicos comuns que estabeleciam entre elas um continuum de tal maneira que advertências verbais e escritas e suspensões escolares eram prontamente ratificadas pela família, quando não acrescidas de algum castigo adicional em casa. A figura do professor exigente, disciplinador implacável, do diretor que assumia suas funções com mãos de ferro, ultrapassava os muros da escola e, de certo modo, acabava fazendo parte da família como alguém a ser temido e também valorizado. Obviamente que essas referências não são descrições generalizáveis para todas as escolas e famílias, apenas correspondem ao imaginário do que é ainda referido como “escola pública de qualidade” e “família organizada”. Também a família mudou. Aquela família composta por pai, mãe e seus respectivos filhos foi, a partir da revolução cultural deflagrada pelo advento da pílula e da luta das mulheres pelo direito à igualdade de condições, então prerrogativas dos homens, sofrendo um processo de mudança acelerada e tornou-se, então, a “nova família”, cujo padrão tradicional foi substituído pelas mais diferentes modalidades de composição. Com essas mudanças, o ideário da educação familiar, antes calcado nas tradições familiares, foi substituído. Antes, as preocupações estavam centradas na educação moral e social. Exigiam-se obediência, respeito, cumprimento dos deveres e obrigações, principalmente os referentes à escola. Com a “nova família” surgiram as primeiras contestações à escola e aos seus professores. Tudo coincidindo com a democratização da educação. Como se percebe, a situação do sistema educacional ficou, de um dia para o outro, simplesmente irreconhecível. A partir das contestações da “nova família” aos professores, aos conteúdos de ensino, aos procedimentos de avaliação, às relações de seus filhos com os professores, é que pudemos observar uma extraordinária mudança no cenário do cotidiano escolar. O que antes, na escola tradicional, era tratado sob a epígrafe de questões disciplinares, portanto sujeito apenas a procedimentos repressivos passou, muito rapidamente, a ser enfrentado com a convocação da participação dos “especialistas“. Psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, neurologistas, além dos já conhecidos professores particulares, foram muito rapidamente integrados à participação no cotidiano escolar. E, de acordo com os novos paradigmas da ciência positiva – neurociência -, surgiram novos “diagnósticos” para os chamados problemas de aprendizado. Dislexia, distúrbios de atenção, problemas de concentração e outros foram, então, identificados e “tratados”. Não só com atendimento clínico-pedagógico, mas também com medicamentos. O professor passou a conviver, não apenas com esses novos personagens da vida escolar, mas também com anfetaminas para alunos “hiperativos”, coadjuvantes dos “materiais escolares”. Bem, pelo exposto até então, resta um questionamento: quem é, afinal, o sujeito da educação? Por mais extensos e padronizados sejam as grade curriculares e os programas de ensino e, ainda, por mais que os professores mais bem preparados ministrem seus cursos, isso não garante o que preconiza a legislação: formação integral e plena dos alunos. Além disso, é preciso reafirmar, lembrando os ensinamentos de Piaget e Freud, que é somente pela resposta do aluno que é possível verificar se ele aprendeu ou não e, principalmente, como aprendeu. A proposta da substituição do “fracasso escolar” pelo “fracasso da escola” apenas encontra o nome do algoz: o professor. Porque a escola ainda que seja reconhecida como uma das instituições fundantes da inserção do sujeito no mundo só é capaz de realizar tal operação pela mediação do professor, que se encarna em escola na relação com o aluno. Contudo, fazer do professor o algoz é ignorar que ele é tão vítima quanto o aluno. Aquele velho professor da antiga escola tradicional gozava de prestígio social, era digno de respeito e admiração e, ainda por cima, ganhava dinheiro suficiente para manter-se e prover sua família com dignidade. Assim, o professor, que ao longo dos últimos anos, teve que enfrentar os desafios de deparar-se com uma nova clientela escolar sem ter tido um mínimo de preparação prévia vem, a cada dia, sendo obrigado a assumir também as conseqüências da “nova família”. Esse fenômeno o atinge em duas frentes: a profissional e a pessoal, pois, além de não ser respeitado em sala de aula, também não experimenta nenhum orgulho ao se declarar professor, porque nada sobrou do prestígio que coroava a profissão. E o salário, em que pesem as jornadas extenuantes, faz “sobrar cada vez mais mês no fim do dinheiro”, como diz Millôr Fernandes".
Pessimismo ou não, basta resgatar a teoria da evolução de Charles Darwin que afirma que os seres humanos compartilham uma descendência comum com os mais primitivos dos animais. Esta herança aplica-se tanto ao cérebro humano, o berço da razão e da sensação, quanto a qualquer outra parte de nossa estrutura física e psicológica. Mas como estamos analisando comportamento ignoremos do “pescoço para baixo”.
A ciência comprovou a existência de duas partes importantes do nosso cérebro: o paleocórtex e neocórtex. O paleocórtex ou sistema límbico, é uma estrutura cerebral que se desenvolveu posteriormente e que governa a expressão das emoções. O neocórtex ou massa cinzenta é que distingue o homem dos outros animais. É justamente o neocórtex que permite o raciocínio lógico, o uso da linguagem complexa e a quebra das barreiras da evolução biológica.
O homem herda algo mais do que genes, ele herda também as culturas complexas que ele mesmo cria. Naturalmente, existe um certo grau de intercomunicação entre as duas partes, mesmo assim todas elas têm suas funções separadas e nenhuma tentativa de explicar a natureza humana pode ser bem-sucedida se não levarmos em conta essas diferenças.
O desenvolvimento do neocórtex tornou possíveis as funções inter-relacionadas do raciocínio e da linguagem, mas como derivam de uma estrutura posterior, separada, o raciocínio e a linguagem têm pouco poder sobre o sistema límbico do paleocórtex e as emoções que ele governa. Esta pode ser a causa mais provável de nosso elenco desesperado ter migrado do imaginário moral e eticamente correto para um mundo onde a luta pela sobrevivência é mister. (Por isso que ainda somos meio símios em determinados aspectos da vida).
Questões como: Somente situações extremas fazem aflorar nossos instintos mais primitivos? - ou - Será que somos selvagens em nosso cotidiano de forma institucionalizada? Resta refletir sobre estas e outras tantas situações que assolam nosso desenvolvimento social. Quem sabe um dia as pessoas passem de candidatos à categoria efetiva de seres humanos, na verdadeira concepção da palavra.